Entrevista Manuela Francisco


Abaixo segue a cópia das questões enviadas à Manuela Francisco, por e-mail, e as respectivas respostas recebidas através da mesma via.

Olá Professora Manuela Francisco, somos alunas do Mestrado em Pedagogia do Elearning na Universidade Aberta e no âmbito da unidade curricular Processos Pedagógicos em Elearning, lecionada pelo professor José Mota, estamos a realizar esta entrevista. Agradecemos desde já sua prontidão e disponibilidade em colaborar connosco na realização deste trabalho.

Quanto aos seus dados (nome, profissão, etc) gostaríamos de saber se poderão ser publicados como fonte de informação desta entrevista.

As questões abaixo poderão ser respondidas da melhor forma que lhe convier (texto, áudio, vídeo).

1- Como iniciou o seu percurso profissional e o que despertou o seu interesse pela área da educação online?
2- São vários os termos utilizados para classificar um professor na modalidade de ensino a distância - professor online, tutor online e designer instrucional. Existe alguma diferença nos termos encontrados? Qual?
3- Face à experiência que apresenta nesta área, que evolução, a nível comportamental/instrucional, metodologias pedagógicas, m-learning, b-learning considera que podem ser evidenciadas como mais significativas?
4- Considerando os aspetos pedagógicos, quais são para si as principais caraterísticas e funções de um professor online?
5- São várias as atividades desenvolvidas no contexto online, quais as mais utilizadas e melhor aceites pelos estudantes?
6- Qual a ferramenta que considera mais eficaz na avaliação dos estudantes?
7- Que aspetos considera mais ténues nesta modalidade de ensino?
8 - Qual será o futuro para a educação online e que conselhos daria a futuros profissionais nesta área?


Mais uma vez agradecemos sua colaboração!

Carla Cardoso
Débora Cunha



Respostas enviadas via e-mail:


1- O meu percuso profissional na área do e-learning? Se sim, estava a meio do MPEL, quando abriu concurso para a UED ao qual concorri e fiquei exatamente por estar a fazer o mestrado na área da pedagogia do e-learning. O interesse por esta área surge porque gosto muito de tecnologia e senti que esta podia ter um potencial pedagógico conforme lia em vários artigos.

2- Existe uma diferença grande entre designer instrucional e tutor ou professor online ou e-formador. O designer instrucional desenha a instrução, isto é, adequa estratégias pedagógicas nos conteúdos e materiais de aprendizagem, tal não significa que tenha perfil ou conhecimentos científicos na área a lecionar para poder acompanhar de forma eficaz e eficiente os estudantes. Quem acompanha os estudantes online, pode ser o professor ou o tutor, que detém, acima de tudo, conhecimento científico da área que está a lecionar, devendo ter também competências específicas do ensino online.

3- O ênfase nunca está na tecnologia que veicula os conteúdos e o processo de aprendizagem, mas sim nas estratégias que se adotam. Na minha experiência evidencio a criatividade que é fundamental para criar atividades estimulantes para os estudantes, assim como o feedback que deve ser dado a quem está a aprender.

4- Acima de tudo saber motivar e estimular para a aprendizagem de determinado conteúdo programático apostando na atitude ativa dos estudantes.

5- As que colocam os estudantes em contextos reais, simulações, jogos do tipo roleplaying, que conseguem envolver os estudantes emocionalmente.

6- Depende da natureza da disciplina, mas acredito particularmente na resolução de casos, trabalhos práticos e em contexto específico. Considero fundamental os estudantes fazerem reflexões em vários momentos do curso/disciplina. Geralmente peço que façam reflexões sobre o seu estado emocional e sobre o que gostaram mais de fazer e o que sentem que podem realizar com o que aprenderam. No fundo é uma espécie de e-portfólio emocional que revela as competências que cada um sente que desenvolveu.

7- A obsessão pelos conteúdos. Numa altura em que a informação nasce e surge de todos os lados creio que os melhores conteúdos que um professor pode oferecer são notas de leitura, dicas de pesquisa ou colocar os estudantes em ambientes contextualizados.

8- Ser criativo e apostar na interação e na comunicação recorrendo à tecnologia (móvel, motion, 3d, ambientes imersivos, ferramenta web...)