Entrevista Stephen Downes - Tradução

Abaixo segue a entrevista com Stephen Downes. Esta foi realizada via Skype e optamos por transcrevê-la aqui na forma textual, tal como foi se desenrolando, com as perguntas e respostas obtidas.

Boa tarde Sr. Stephen Downes,

Tal como já havia sido referido no contato ínicial, encontramo-nos a frequentar o mestrado em Pedagogia do eLearning na Universidade Aberta em Lisboa. Na unidade curricular Práticas Pedagógicas em eLearning, foi proposto uma entrevista a um professor/formador na área. Tendo em conta o trabalho que tem desenvolvido e sendo um dos autores referênciados ao longo deste mestrado. Agradecemos desde já a oportunidade que nos está a dar.

1- Como iniciou o seu percurso profissional e o que despertou o seu interesse pela área da educação online?

A minha educação académica foi em filosofia, o que é pouco usual como começo. Enquanto estudava filosofia, arranjei um trabalho a ensinar à distância: ensinar num mestrado numa outra universidade por telefone, online, por acesso remoto e online. E foi essa experiência profissional de vários anos que me trouxe a esta área onde trabalho agora.
2- Ressalva que “a Web 2.0 não é uma revolução tecnológica, mas sim uma revolução social, ou seja a Web 2.0 é uma atitude e não um tecnologia” Qual a influência da Web 2.0 ne eLearning? E que implicações tem nas práticas educativas?
Essa é uma questão interessante. Foi mais uma atitude do que uma tecnologia no sentido em que antes as pessoas acediam ao que alguém produzia e depois passou a ser um processo/ambiente onde quem produz pode aceder também ao que alguém também produz. Quem produz é quem consome também. O consumidor também pode criar. Houve um impacto social e educacional. Em termos tecnológicos foi apenas um avanço num mecanismo que permitiu criar redes de outras redes de aprendizagem. Os aprendentes eram os seus próprios professores/tutores. Podiam criar agora redes de estudo com vídeos, no youtube, partilhá-los, fazer um blogue, criar uma base de apoio e aprendizagem mais adequada e acessível a eles próprios. Passou a haver um ambiente de aprendizagem pessoal. O impacto social foi partir do que as pessoas podiam aprender através de alguém para o que as pessoas podiam aprender por elas próprias.
3- Refere que os valores que fundamentam os Personal Learning Environments são os mesmos que a Web 2.0, onde podemos ver que esses valores ajudam a melhorar a aprendizagem?
Temos que ter em mente que o que dizemos ou queremos dizer melhora a aprendizagem. Normalmente falar de aprendizagem é lembrar a matemática, dados, procedimentos e várias capacidades/habilidades. Assim é fácil medir o que se aprende. No entanto, cada vez mais vemos que a aprendizagem é um fenómeno complexo. Não é só a aquisição de conhecimento e habilidades. É um processo de desenvolvimento. Passa a ser a pessoa que começa a saber e se desenvolve e não a pessoa que adquire conhecimento. Ao desenvolver a aprendizagem num ambiente de rede, trabalha-se tarefas específicas ou mesmo reais, trabalha-se com especialistas naquele campo. O objectivo é tornar-se ele próprio num expert/especialista e não num consumidor do saber de especialistas. Como dizer? É aprender toda a competência/capacidade de vários aspectos relacionados com uma disciplina em vez de estudar apenas o seu cerne/centro.
4- Qual o termo mais correto para designar um professor nesta modalidade de ensino? Porquê?
É uma questão interessante. O papel do ensino muda. Deixa de haver um único papel. Um único professor, mentor, tutor, assistente. Passa a haver técnicos, apresentadores, especialistas disponíveis online. Não há uma palavra que substitua a palavra professor, há muitas dependendo do ponto de vista e da tarefa que se espera dessa interactividade, dos objectivos que se tem.
5- São várias as atividades desenvolvidas em contexto online, quais as mais utilizadas e quais lhe parecem ter uma melhor adesão por parte dos estudantes? (abordar a questão da motivação)
Quais são as melhores tarefas? O que mais vai beneficiar os estudantes é a actividade que eles escolherem. Ficam comprometidos com essa escolha. Não é a natureza da actividade que determina a eficácia mas como a actividade serve o conceito dos utilizadores, daquilo que necessitam. Sei que não gostam dessa resposta, preferiam que respondesse que gostam geralmente de questionários ou redacções mas isso seria inapropriado.
6- Qual o nível de importância dos e-portfólios na aprendizagem dos estudantes?
A criatividade é importante na aprendizagem. O E-Portfolio tem um papel central ao mostrar o vosso trabalho num sítio público e a uma audiência mais vasta porque motiva as pessoas a mostrar o seu melhor possível. É preciso ter cuidado com o termo e-portfólio pois diferentes instituições usam-no de forma distinta. Tem a ver com o propósito desse portfólio.
7- Que aspetos considera mais ténues nesta modalidade de ensino?
Testes. Mas é preciso haver pois as pessoas têm de receber algum feedback/retorno.Palestras. Principalmente online não são eficazes.Tudo o que for formal, automático, rígido.
8 -Como vê o futuro da aprendizagem online? E que conselho daria a futuros profissionais neste área?
O trabalho neste campo vai tornar-se mais especializado. Os educadores terão de ser mais abrangentes no uso das tecnologias, mesmo fora da área da educação. Por exemplo os jogos de computador. Como funcionam. De forma a envolver e chamar mais pessoas para o ensino/aprendizagem online.

Obrigada pela sua disponibilidade e colaboração!